Resumo do mercado de ações dos EUA – 23 de março de 2026
Hoje num relance
Resumo do mercado
Na segunda-feira, 23 de março, o mercado de ações dos EUA viveu um dia de reviravolta dramática com uma única declaração do presidente Trump sobre o Irã. No início do pregão, os índices abriram em queda devido aos receios de escalada do conflito com o Irã, mas quando Trump publicou em uma rede social que havia suspendido os ataques à infraestrutura iraniana (usinas de energia) e que "diálogos produtivos" estavam em andamento entre as partes, o mercado reverteu bruscamente em questão de cinco minutos (Bloomberg). O Dow Jones subiu +1,38% (+631 pontos), registrando o maior ganho em seis semanas; o S&P 500 avançou +1,15% e o Nasdaq subiu +1,38% (MarketWatch). O VIX caiu -2,35% para 26,15, mas o Índice de Medo e Ganância permanece em 16, ainda na zona de Medo Extremo (Extreme Fear), indicando que a ansiedade estrutural do mercado ainda não foi resolvida. Em Wall Street, esse repique foi batizado de "TACO trade" (Trump Always Calls it Off), destacando o padrão recorrente em que o mercado oscila bruscamente conforme as declarações de Trump (Reuters).
Desempenho por setor e classe de ativo
Setores em alta: Consumo discricionário ($XLY, +2,21%) liderou o repique, impulsionado pela expectativa de arrefecimento do conflito. O setor de tecnologia ($XLK, +1,23%) também se recuperou com o alívio das preocupações sobre alta de juros. A maioria dos setores fechou em alta, incluindo Industriais ($XLI, +0,85%), Energia ($XLE, +0,51%), Finanças ($XLF, +0,37%) e Comunicação ($XLC, +0,40%). O forte repique do Russell 2000 ($IWM, +2,16%) mostra que a propensão ao risco em relação às small caps está ressurgindo.
Setores em baixa: Apenas Saúde ($XLV, -0,39%) e Consumo essencial ($XLP, -0,14%) registraram quedas leves. As ações de defesa foram afetadas pela perspectiva de desescalada do conflito, com Lockheed Martin ($LMT, -1,78%), RTX ($RTX, -1,68%) e Northrop Grumman (-3,81%) em queda. UnitedHealth Group ($UNH, -2,20%) também mostrou fraqueza e pressionou o setor de saúde.
Renda fixa: Após as declarações de Trump, os preços dos Treasuries subiram (com yields em queda). O $TLT, de longo prazo, avançou +0,65%, e o $IEF, de médio prazo, subiu +0,32%, aliviando um pouco o temor de alta de juros. O Treasury de curto prazo $SHY (+0,15%) também subiu modestamente (Bloomberg).
Commodities: O petróleo ($USO, -8,95%) despencou com a expectativa de arrefecimento do conflito, tornando-se o principal motor do movimento do mercado no dia. O Secretário de Energia afirmou que, caso se chegue a um acordo com o Irã, os preços de energia poderiam cair "de forma bastante significativa" (Fox Business). Por outro lado, os metais industriais mostraram força diante da expectativa de recuperação econômica: cobre ($CPER, +3,65%), lítio (LIT, +4,34%), urânio (URA, +3,66%) e madeira (WOOD, +2,85%) subiram em bloco. O ouro ($GLD, -2,26%) caiu para um RSI de 27,45 com a valorização do dólar e a mudança para a preferência por risco, prolongando a sequência de quatro semanas de fraqueza (Bloomberg). O gás natural ($UNG, -5,33%) também despencou com o alívio das preocupações sobre disruptions no fornecimento de energia.
Desempenho dos principais ativos
Em forte alta: Palantir ($PLTR, +6,74%) registrou a maior alta entre as 100 maiores empresas por valor de mercado, refletindo a expectativa de demanda por análise de dados em IA e defesa. O repique dos bancos europeus foi destaque: Santander ($SAN, +5,89%) recuperou-se fortemente da queda de -3,75% do dia anterior, e HSBC ($HSBC, +3,74%) também subiu de forma expressiva. As gigantes de semicondutores ASML ($ASML, +3,98%) e Broadcom ($AVGO, +3,86%) recuperaram as perdas do dia anterior, e ações de tecnologia em geral mostraram força, incluindo GE Vernova ($GEV, +3,76%), AppLovin ($APP, +3,74%), Shopify ($SHOP, +3,70%) e Arista Networks ($ANET, +3,55%). Tesla ($TSLA, +3,50%) subiu junto com o anúncio da "Terafab" por Musk (Yahoo Finance).
Em forte queda: Micron ($MU, -4,39%) foi a única a cair mais de 4%, mostrando desempenho fraco. As ações de defesa caíram juntas diante da expectativa de arrefecimento do conflito, com Lockheed Martin ($LMT, -1,78%) e RTX ($RTX, -1,68%) em queda. Linde ($LIN, -2,07%), Disney ($DIS, -1,57%), Qualcomm ($QCOM, -1,19%), Pfizer ($PFE, -0,74%) e outros caíram modestamente, mas o número de ações em queda diminuiu bastante em relação ao dia anterior, confirmando o tom de repique amplo do mercado.
Sinais técnicos e perspectivas
Indicadores técnicos mostraram mudanças relevantes. Entre 30 ações que romperam a banda inferior de Bollinger, 15 são do setor de utilidades, atingindo níveis extremos e refletindo preocupações severas com a pressão sobre as margens do setor diante do aumento dos custos de energia. Por outro lado, as megacaps que estavam na lista de rompimentos da semana passada (Microsoft, Meta, Walmart, entre outras) voltaram, em sua maioria, para dentro da banda, obtendo um repique técnico bem-sucedido.
Vale destacar que a Nvidia ($NVDA) entrou recentemente em zona de sobrevenda pelo estocástico. Juntamente com megacaps como Apple ($AAPL) e Microsoft ($MSFT), isso sugere que o mercado como um todo ainda permanece na faixa de fundo de curto prazo. O número de ações do setor financeiro com cruzamento de alta no MACD expandiu-se para 13 (JPM, BAC, GS, MS, WFC, entre outras), reforçando ainda mais o sinal de virada para alta do setor financeiro.
> Para uma análise técnica detalhada, consulte o Relatório de Sinais Técnicos de 23 de março.
Apesar deste rally de alívio, o nível de Medo Extremo do Índice de Medo e Ganância em 16 indica que a ansiedade estrutural do mercado não foi resolvida. A concretização de um acordo efetivo com o Irã é a variável-chave para a direção futura do mercado, e, caso o acordo se confirme conforme sugerido pelo Secretário de Energia, uma queda adicional nos preços de energia poderá impulsionar uma recuperação mais robusta do mercado em geral. No entanto, com a persistência do padrão "TACO trade", em que o mercado oscila bruscamente em apenas cinco minutos após as declarações de Trump, é necessário estar preparado para alta volatilidade.
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