SpaceX ($SPCX) – Análise do resultado do 2º trimestre de 2026: receita sobe 92% e supera projeções, mas ação cai no after-hours
Placar do resultado
Receita: US$ 7,814 bilhões (+92% na comparação anual, projeção de US$ 6,819 bilhões) ✅ Beat
EPS (lucro por ação): -US$ 0,09 em base GAAP (projeção do consenso de -US$ 0,23 em base ajustada; a empresa não divulgou o dado ajustado, o que impede comparação direta)
Guidance: não divulgado — o comunicado não trouxe projeções de receita nem de lucro por ação para o próximo trimestre ou para o ano
Reação do papel: -6,46% no after-hours (US$ 117,23) — referência às 06:00 (horário da Coreia) de 05/08
Pontos positivos
Receita em forte alta: receita do 2º trimestre de US$ 7,814 bilhões, crescimento de 92% na base anual, acima das projeções
Starlink em crescimento: 12 milhões de assinantes (o dobro na comparação anual), lucro operacional da divisão de conectividade +79%
Inteligência artificial em virada: EBITDA ajustado de US$ 1,15 bilhão, revertendo para positivo; contratos de nuvem somam US$ 14,1 bilhões
A receita da SpaceX ($SPCX) no 2º trimestre de 2026 (encerrado em 30 de junho) atingiu US$ 7,814 bilhões, alta de 92% frente a US$ 4,071 bilhões no mesmo período do ano anterior, superando com folga a projeção de mercado de US$ 6,819 bilhões. As três divisões — espacial, conectividade e inteligência artificial — cresceram, e o EBITDA ajustado (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou US$ 3,538 bilhões, avanço de 191% sobre US$ 1,214 bilhão um ano antes. O prejuízo líquido caiu para US$ 541 milhões, melhoria de US$ 467 milhões frente aos US$ 1,008 bilhão do ano anterior (igual ao prejuízo líquido atribuível aos acionistas ordinários).
A divisão de conectividade (comunicação por satélite) registrou receita de US$ 4,291 bilhões, +66% na comparação anual, com lucro operacional de US$ 1,656 bilhão (+79%). Os assinantes da Starlink chegaram a 12 milhões ao fim do trimestre — o dobro dos 6 milhões de um ano antes — com adição líquida de 1,7 milhão no período. A receita com clientes corporativos e governamentais subiu 108% na base anual, e contratos plurianuais com o governo dos EUA ligados ao Starshield somaram mais de US$ 6 bilhões.
A divisão de inteligência artificial teve receita de US$ 2,561 bilhões, alta de 247% na base anual e de 213% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Contratos de serviços de nuvem somam US$ 14,1 bilhões, impulsionando a receita de infraestrutura, e o EBITDA ajustado foi de US$ 1,146 bilhão, revertendo para positivo após o prejuízo de US$ 609 milhões no trimestre anterior. A capacidade nominal de computação foi ampliada para 1,4 gigawatt, e o caixa e títulos mobiliários ao fim do trimestre giravam em torno de US$ 100 bilhões, com backlog de US$ 47,5 bilhões dando suporte aos investimentos de crescimento.
Pontos de atenção
Ainda no vermelho: prejuízo líquido de US$ 541 milhões e prejuízo operacional de US$ 143 milhões no trimestre
Explosão no CapEx: investimento de US$ 15,8 bilhões em infraestrutura apenas na divisão de inteligência artificial no trimestre, com total de US$ 18,4 bilhões
ARPU em queda: receita média mensal por assinante da Starlink de US$ 66 (ante US$ 85 no ano anterior)
O ritmo de crescimento é acelerado, mas o resultado ainda não está no azul. No 2º trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo operacional de US$ 143 milhões e prejuízo líquido atribuível aos acionistas ordinários de US$ 541 milhões. O prejuízo por ação em base GAAP ficou em US$ 0,09, abaixo dos US$ 0,34 do ano anterior, mas a base de comparação adotada pelo consenso (US$ -0,23 em critério ajustado) é diferente, o que impede afirmar, apenas pelo número, que houve "surpresa de lucro". O lucro por ação ajustado não foi divulgado separadamente pela companhia.
O ritmo de desembolso também chama atenção. O investimento de capital do trimestre somou US$ 18,369 bilhões, dos quais US$ 15,828 bilhões apenas na divisão de inteligência artificial. A expansão da infraestrutura de computação, incluindo o Colossus 2, explica o movimento, e o CapEx em inteligência artificial apenas no primeiro semestre chega a US$ 23,551 bilhões. A isso se soma o acordo de aquisição da empresa de ferramentas de programação Cursor por US$ 60 bilhões, com conclusão prevista para o 3º trimestre, e os riscos de diluição e de integração passam a ser pontos de observação daqui em diante.
A base de assinantes da Starlink cresceu, mas a receita média mensal por assinante (ARPU) caiu para US$ 66, ante US$ 85 no mesmo período do ano anterior. A divisão espacial registrou receita de US$ 962 milhões (+29%), mas teve prejuízo operacional de US$ 542 milhões por causa da aceleração do P&D do Starship, e a divisão de inteligência artificial também permaneceu com prejuízo operacional de US$ 1,257 bilhões. O EBITDA ajustado melhorou, mas, antes de reverter depreciação e remuneração baseada em ações, o resultado operacional e líquido ainda indica fase de investimento.
O que a empresa disse
Os comentários do diretor financeiro (CFO) deram peso ao crescimento e à alavancagem operacional. A empresa explicou que o crescimento de receita acelerou nos três negócios e que novos contratos de capacidade de computação em inteligência artificial puxaram a expansão de margem. Ao dar as boas-vindas a acionistas e credores após a abertura de capital, destacou que o caixa e títulos mobiliários de cerca de US$ 100 bilhões ao fim do 2º trimestre, junto com o backlog de US$ 47,5 bilhões, dão suporte aos investimentos em Starship, Starlink e na plataforma de inteligência artificial. Não foram divulgados números de guidance de receita nem de lucro por ação para o próximo trimestre ou para o ano, e o tom foi firme em manter a disciplina na alocação de capital no longo prazo. O mercado confirmou a "história de crescimento", mas não recebeu números concretos sobre quando a operação migrará de fato para o azul.
Reação do mercado e pontos daqui em diante
No pregão regular, parte relevante da expectativa com o resultado e do momentum de crescimento já parecia precificada, e, depois do fechamento, o foco se deslocou dos números em si para os "pontos a resolver". A receita veio bem acima do esperado, mas a empresa segue no vermelho, o investimento em infraestrutura de inteligência artificial passou de US$ 15 bilhões em um único trimestre e o consumo de caixa continua acelerado. Com o anúncio da aquisição da Cursor por US$ 60 bilhões somado a esse cenário, o fluxo vendeu primeiro o risco de valuation, diluição e integração, em vez de mirar o lucro de curto prazo. A queda do ARPU da Starlink e os prejuízos operacionais das divisões espacial e de inteligência artificial reforçaram a leitura de "crescimento comprovado, momento da monetização incerto".
Acompanhar a conclusão da aquisição da Cursor no 3º trimestre e se a receita e a margem da divisão de inteligência artificial de fato se beneficiam após a integração.
Observar se o ritmo de CapEx em inteligência artificial e o reconhecimento de receita dos contratos de nuvem se alinham para reduzir mais o prejuízo operacional.
Verificar se o ARPU da Starlink encontra um piso enquanto a base de assinantes segue crescendo, e se a participação de clientes corporativos e governamentais sustenta a margem.
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