Pan American Silver ($PAAS) – Análise do 2T 2026 — lucro abaixo do consenso, mas devolução recorde aos acionistas e leve alta no after-market
Quadro de resultados
Receita: US$ 1,124 bilhão (2T 2026; em base atribuível, US$ 1,27 bilhão) — aumento de cerca de 39% ante o ano anterior, estimativa de US$ 1,141 bilhão ❌ Abaixo
EPS (lucro por ação): EPS ajustado de US$ 0,73 (2T 2026; EPS básico em GAAP de US$ 0,72), estimativa de US$ 0,86 ❌ Abaixo
Perspectiva: mantida — projeções anuais de 2026 para produção de prata e custo total de sustentação do segmento de prata permanecem inalteradas. A produção de ouro deve ficar na extremidade inferior da faixa anual e o custo total de sustentação do segmento de ouro, na extremidade superior; já a projeção de impostos a pagar foi revisada para cima, para US$ 585 milhões a US$ 635 milhões
Reação do papel: +0,70% no after-market (US$ 52,74) — referência às 06:00 (horário de Brasília) do dia 13/08
Pontos positivos
Produção de prata no topo da meta: produção atribuível de prata de 6,47 milhões de onças (2T 2026), atingindo o teto da faixa trimestral
Geração de caixa: fluxo de caixa livre atribuível de US$ 344 milhões (2T 2026), valor que sobra após o pagamento de US$ 205 milhões em impostos
Devolução recorde aos acionistas: dividendos e recompra de ações somaram US$ 300 milhões (2T 2026)
A operação estável das minas La Colorada e Huancito Ipio sustentou a produção de prata. O caixa da companhia gira em torno de US$ 1,8 bilhão, e somando a linha de crédito refinanciada em julho, a liquidez total disponível chega a US$ 3,2 bilhões. A empresa afirmou que pretende continuar alocando essa capacidade em projetos de crescimento, como o La Colorada Skarn.
Pontos negativos
Produção de ouro abaixo da meta: produção atribuível de ouro de 165,9 mil onças (2T 2026), ficando abaixo da faixa trimestral
Aumento de custos: custo total de sustentação do segmento de prata de US$ 17,80/onça e do segmento de ouro de US$ 1.984/onça, ambos ligeiramente acima da faixa-alvo
Maior carga tributária: despesa com imposto de renda corporativo de US$ 179 milhões no 2T, e a projeção anual de impostos a pagar também foi revisada para cima, para US$ 585 milhões a US$ 635 milhões
O motivo principal do lucro abaixo do esperado foi o problema na produção de ouro. Quando os preços dos metais sobem, a receita aumenta, mas royalties e custos com pessoal também crescem na mesma proporção, de modo que a alta de preços não se traduz integralmente em lucro. A empresa explicou que a produção ficará concentrada no segundo semestre, especialmente no 4T, o que também significa que o cumprimento das metas depende do fim do ano.
O que a empresa disse
A gestão enfatizou mais a geração de caixa e a devolução aos acionistas do que o próprio resultado, manteve inalteradas as projeções anuais de produção e custos e demonstrou confiança na recuperação no segundo semestre. O mercado pareceu dar mais peso à mensagem de "metas anuais mantidas + devolução recorde" do que ao lucro abaixo do esperado.
Reação do mercado e próximos pontos de atenção
Mesmo com o lucro abaixo das estimativas, o papel se sustentou porque a justificativa para o desempenho fraco foi atribuída a um problema pontual na produção de ouro, e as metas anuais foram mantidas.
Se a produção de ouro de fato se recupera no segundo semestre, em especial no 4T, alcançando ao menos a extremidade inferior da faixa anual
Se os custos totais de sustentação dos segmentos de prata e ouro voltam para dentro das faixas-alvo
Se as recompras de ações seguem no ritmo atual (7,3 milhões de ações desde o início do ano)
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