Gilead Sciences ($GILD) – Análise do 2º trimestre de 2026: receita e prejuízo por ação ajustado superam expectativas, apesar de leve fraqueza no after-hours após elevação da guidance do negócio-base
Quadro de resultados
Receita: US$ 7,803 bilhões (+10% na base anual, estimativa de US$ 7,395 bilhões) ✅ Beat
EPS (lucro por ação): Prejuízo por ação ajustado de US$ 6,75 (estimativa: prejuízo por ação de US$ 7,25) ✅ Beat · Prejuízo por ação em GAAP de US$ 8,45
Guidance: Elevada — receita de produtos em 2026 (excluindo Veklury) entre US$ 29,8 bilhões e US$ 30,1 bilhões; prejuízo por ação ajustado entre US$ 0,65 e US$ 0,30 (melhoria frente à faixa anterior de prejuízo entre US$ 1,05 e US$ 0,65)
Reação do papel: after-hours -1,00% ($133,9) — com base em 05/08 às 05:56 (horário da Coreia)
Pontos positivos
Portfólio de HIV: receita de US$ 5,7 bilhões no 2º trimestre, alta de 12% na base anual
Crescimento dos produtos-chave: Biktarvy US$ 3,8 bilhões (+7%), Descovy US$ 967 milhões (+48%), Trodelvy US$ 457 milhões (+26%)
Elevação da guidance do negócio-base: teto e piso da projeção anual de receita de produtos (excluindo Veklury) foram revisados para cima
A Gilead continua ancorada em seu negócio de tratamento e prevenção do HIV. A receita de produtos de HIV no 2º trimestre atingiu US$ 5,7 bilhões, avanço de 12%, com o carro-chefe Biktarvy crescendo 7% graças a preços médios de venda mais altos e à expansão da demanda. Descovy, ligado à profilaxia pré-exposição (PrEP), saltou 48%, enquanto Yeztugo (lenacapavir) já se posicionou rapidamente, com receita de US$ 232 milhões.
No segmento de oncologia, Trodelvy cresceu 26% para US$ 457 milhões, impulsionada pelo aumento da demanda, e o portfólio de doenças hepáticas avançou 10%, sustentado por Livdelzi. Refletindo esse momentum, a companhia elevou a guidance de receita de produtos em 2026 (excluindo o antiviral contra a Covid Veklury) para a faixa de US$ 29,8 bilhões a US$ 30,1 bilhões e também melhorou a perspectiva anual de prejuízo por ação ajustado em relação ao guidance anterior.
Pontos negativos
Custos não recorrentes da grande aquisição: cerca de US$ 11,2 bilhões em despesas com P&D em andamento (IPR&D) resultaram em prejuízo líquido de aproximadamente US$ 10,5 bilhões no 2º trimestre
Desempenho fraco em terapia celular e Veklury: receita de terapia celular recuou 14%; Veklury despencou 81%, para US$ 23 milhões
Queda acentuada do caixa: caixa e títulos de curto prazo totalizam US$ 3,2 bilhões, redução expressiva frente aos US$ 10,6 bilhões do fim do ano
No 2º trimestre, o prejuízo diluído por ação em GAAP foi de US$ 8,45, e o ajustado também registrou prejuízo de US$ 6,75. O resultado reflete o impacto das despesas com pesquisa e desenvolvimento em andamento (IPR&D) ligadas às aquisições de Acelrx, Tubulis e Ouro Medicines, da ordem de aproximadamente US$ 9,08 por ação, que fizeram a demonstração de resultados inclinar-se fortemente para o vermelho, descolada do desempenho operacional. No mesmo período, o prejuízo líquido total foi de cerca de US$ 10,5 bilhões.
A área de terapia celular (Yescarta e Tecartus) caiu 14% devido ao aumento da concorrência, enquanto Veklury, ligado à Covid, recuou 81% em razão da queda nas hospitalizações. Em função de aquisições, dividendos e recompras, o caixa e equivalentes caiu de US$ 10,6 bilhões no fim do ano para US$ 3,2 bilhões ao final de junho, e a guidance anual de Veklury também foi cortada de US$ 600 milhões para US$ 300 milhões. A perspectiva de prejuízo por ação anual em GAAP também ficou mais pressionada do que a anterior após a inclusão dos custos das aquisições.
O que a empresa disse
O CEO Daniel O'Day avaliou que a receita do negócio-base cresceu 10% na comparação anual, com tratamento e prevenção em HIV, Trodelvy e Livdelzi puxando o desempenho. Com base no crescimento de 12% da receita de HIV e na expansão da área de prevenção, a companhia elevou a perspectiva de receita do negócio-base para 2026 e também destacou o progresso clínico, com três aprovações da FDA e três resultados positivos de Fase 3. A administração demonstrou otimismo com potenciais lançamentos adicionais em oncologia e HIV no segundo semestre, adotando um tom que colocou no centro da narrativa a força operacional e o momentum do pipeline. Ainda assim, os próprios números da guidance incorporam o impacto dos custos não recorrentes com IPR&D ligados às aquisições (cerca de US$ 9,08 por ação) na projeção anual de prejuízo, exigindo uma leitura conjunta entre a superfície do resultado e a narrativa do negócio principal.
Reação do mercado e pontos de atenção daqui em diante
Durante o pregão, o papel mostrou força antes da divulgação do resultado, mas recuou levemente após o fechamento. Embora a receita e o prejuízo por ação ajustado tenham superado as expectativas e a guidance do negócio-base tenha sido elevada, pontos como o custo não recorrente da aquisição próximo de US$ 9 por ação, o prejuízo robusto em GAAP, a redução do caixa e a fraqueza em terapia celular vieram à tona simultaneamente, abrindo espaço para realização de lucros. O negócio principal segue sólido, mas a tensão entre a "história de crescimento" e os "custos da aquisição/queima de caixa" impediu que o movimento pendesse para um único lado.
Acompanhar se o crescimento em tratamento e prevenção de HIV se mantém no 3º trimestre e o andamento da análise regulatória da formulação oral de dose semanal de Yeztugo.
Observar, após a aprovação de Trodelvy em primeira linha, a aceleração efetiva em prescrições e receita, além de sinais de arrefecimento da pressão competitiva na terapia celular.
Avaliar a recuperação da geração de caixa operacional após a grande aquisição e o caminho para o cumprimento da guidance anual de prejuízo ajustado.
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