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Análise de resultados

Análise de resultados do 2º trimestre de 2026 da Flowserve ($FLS) — Forte surpresa no EPS ajustado e elevação do piso da guidance de EPS

Quadro de resultados

Receita: US$ 1,169 bilhão (-1,6% em relação ao ano anterior, estimativa de US$ 1,159 bilhão) ✅ Acima

EPS (Lucro por ação): EPS ajustado de US$ 0,95 (estimativa US$ 0,86, GAAP US$ 0,77) ✅ Acima

Guidance: Mista — receita orgânica anual em torno de -1% (reduzida), EPS ajustado de US$ 4,05 a US$ 4,20 (piso elevado)

Reação do papel: After-market +7,16% (US$ 74,95) — base 07-30 06:15 horário coreano

Pontos positivos

Surpresa no EPS ajustado: US$ 0,95, cerca de 10% acima do consenso de US$ 0,86

Forte alta nos pedidos: Pedidos do trimestre de US$ 1,35 bilhão (+26%), com pedidos de pós-venda (aftermarket) de US$ 696 milhões

Expansão de margens: Margem operacional ajustada de 15,3% (+70 pontos base), margem bruta ajustada em melhora pelo 14º trimestre consecutivo

O ponto central deste trimestre é que 'mesmo com uma leve queda na receita, a qualidade dos lucros melhorou'. A receita reportada de US$ 1,169 bilhão ficou 1,6% abaixo da do mesmo período do ano anterior (US$ 1,188 bilhão), mas superou a expectativa dos analistas (US$ 1,159 bilhão), e o EPS ajustado subiu de US$ 0,91 para US$ 0,95 na comparação anual. Quando se compara com o consenso na mesma base de EPS ajustado, a magnitude da surpresa fica clara.

Os pedidos também chamam a atenção. Os pedidos de novos equipamentos saltaram 43,9% e os pedidos de pós-venda atingiram recorde histórico, elevando o total de pedidos para US$ 1,348 bilhão (+25,5%). O backlog chegou a US$ 3,34 bilhões, 16,9% acima do ano anterior, reforçando a visibilidade de receita futura. A margem operacional do segmento de Bombas (FPD) também se expandiu para 22,3%, dando mais força à narrativa de alavancagem nos lucros.

Pontos negativos

Queda na receita orgânica: Receita orgânica do trimestre -3,3%, receita reportada também -1,6% na comparação anual

Redução da guidance de receita anual: Receita orgânica ajustada para cerca de -1% (impacto do conflito no Oriente Médio)

Desaceleração do fluxo de caixa: Fluxo de caixa operacional de US$ 129 milhões, US$ 24,9 milhões menor do que no ano anterior

O ponto fraco que o mercado pode observar com maior sensibilidade é que o quadro de resultados se apoia mais em 'execução e margens' do que em 'crescimento'. Mesmo com pedidos fortes, a receita efetiva ainda fica defasada, e a própria empresa reconheceu o impacto no segmento de run-rate do Oriente Médio no segundo semestre, estreitando a guidance de receita orgânica anual de (-1% a +2%) para cerca de -1%. A guidance de crescimento da receita total também foi praticamente reduzida, de (+3% a +6%) para cerca de +3%.

Também há diferenças de temperatura entre os segmentos. A margem operacional reportada do segmento de Controle de Fluxo (FCD) caiu significativamente, de 10,2% no ano anterior para 3,1% (na base ajustada houve melhora marginal para 12,6%), com custos de reestruturação e relacionados a aquisições explicando grande parte dos ajustes nos lucros. O fluxo de caixa operacional também recuou em relação ao ano anterior, indicando que ainda será necessário reconfirmar no próximo trimestre se a surpresa nos lucros se converte rapidamente em geração de caixa.

O que a empresa disse

O tom da gestão transmitiu simultaneamente a confiança de que 'a demanda continua viva e a melhoria da estrutura de margens se mantém' e o reconhecimento realista de que 'o top-line foi reduzido por causa da geopolítica do Oriente Médio'. O CEO Scott Rowe explicou que investimentos em energia, energia nuclear e segurança energética estão conduzindo a demanda final, mas também afirmou que, diante dos conflitos armados e incertezas geopolíticas no Oriente Médio, espera-se impacto no segmento de run-rate da região no segundo semestre, o que motivou o ajuste da guidance anual de receita.

Ao mesmo tempo, com base na confiança nos lucros robustos desde o início do ano e na expansão de margens, a empresa elevou o piso da guidance anual de EPS ajustado, enviando a mensagem de 'topline conservador, bottomline mais alto'. A guidance embute a premissa de que as tarifas vigentes em 1º de julho de 2026 e a situação atual no Oriente Médio se mantenham até o final do ano, de modo que qualquer atenuação ou agravamento da geopolítica pode mover tanto as estimativas de receita quanto as de lucro.

Reação do mercado e pontos a observar

No after-market, o mercado avaliou com mais peso a surpresa no EPS ajustado, o salto nos pedidos, a expansão das margens e a elevação do piso da EPS do que a leve queda na receita e a redução da guidance de receita orgânica. As ações de infraestrutura e equipamentos de energia são sensíveis à 'velocidade com que os pedidos se convertem em lucros' e à 'qualidade da guidance' — e, desta vez, os sinais vindos dos lucros e do backlog compensaram a postura mais conservadora na guidance de receita. No entanto, como a variação no after-market pode mudar conforme o horário de referência, o processo de assimilação após a abertura do pregão regular será importante.

Acompanhar o impacto real da geopolítica no Oriente Médio sobre a receita de run-rate e de projetos no segundo semestre

Monitorar se os pedidos recordes e o backlog de cerca de US$ 3,3 bilhões se convertem em receita e margens no 3º e 4º trimestres

Observar em conjunto a defesa do piso da faixa de EPS ajustado anual de US$ 4,05 a US$ 4,20 e a recuperação do fluxo de caixa operacional

Aviso Legal: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Toda a responsabilidade pelos investimentos é do próprio investidor.

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