▸ Revisão da guidance para cima: perspectiva anual de FFO ajustado por ação elevada para US$ 2,76–US$ 2,80, alta de US$ 0,02 no ponto médio
▸ Desempenho de locação: taxa de ocupação dos ativos de defesa e tecnologia da informação em 96,4%, com 2,2 milhões de pés quadrados locados no primeiro semestre
▸ Crescimento interno: projeção de crescimento do NOI em mesmas propriedades subiu da faixa de 3,0% para 4,0%
A empresa é um REIT (fundo de investimento imobiliário) que detém ativos de escritórios e data centers ocupados pelo Departamento de Defesa dos EUA, pelas agências de inteligência e pelos fornecedores da indústria de defesa que os sustentam. Devido ao perfil dos locatários, a demanda é definida mais pelo fluxo do orçamento de defesa do que pelo ciclo econômico, e os números deste trimestre mostram que essa demanda segue firme. O destaque mais marcante ficou por conta das locações em espaços vagos. Apenas no primeiro semestre, foram preenchidos 231 mil pés quadrados de áreas vagas, e, com isso, a companhia elevou sua meta anual de locação de espaços vagos de 400 mil para 475 mil pés quadrados. A taxa de renovação dos locatários existentes também se manteve elevada, em 84,4% no primeiro semestre. O volume de investimentos também cresceu. A empresa aumentou em US$ 45 milhões o plano anual de compromissos de capital, que passou para cerca de US$ 335 milhões. Trata-se de um aumento de desenvolvimento após a confirmação da demanda locatícia, o que difere de uma simples expansão de gastos. ## Pontos negativos
▸ Vacância total: ocupação do portfólio total em 94,1%, abaixo da ocupação dos ativos de defesa e tecnologia da informação (95,1%)
▸ Ritmo de crescimento: crescimento do FFO ajustado por ação de 4,4%, abaixo dos 6,2% do 1º trimestre
▸ Fator de diluição: a diluição relacionada às debêntures conversíveis anulou parte da melhora dos resultados
REITs são avaliados mais pelo FFO (fundos gerados pelas operações) do que pelo lucro, e o crescimento desse indicador caiu de 6,2% no 1º trimestre para 4,4% no 2º trimestre. O nível absoluto segue robusto, mas é importante deixar claro que não se trata de uma empresa capaz de entregar crescimento de dois dígitos. Com a ação tendo apresentado forte alta recentemente e estando próxima da máxima de 52 semanas (US$ 38,16), uma desaceleração no ritmo de crescimento pode se traduzir em pressão sobre a avaliação. A própria empresa explicou que a elevação da guidance neste trimestre foi obtida apesar do efeito do aumento do número de ações decorrente das debêntures conversíveis (títulos que podem ser convertidos em ações). Em outras palavras, sem a boa performance operacional, a diluição teria feito os indicadores por ação regredirem. Outro ponto diz respeito à concentração da estrutura de negócios. Como os locatários estão concentrados nos setores de defesa e inteligência, a demanda é estável, porém, caso as negociações do orçamento federal dos EUA se atrasem ou as prioridades de gastos com defesa mudem, o impacto pode se manifestar de forma acentuada em uma única direção. ## O que a empresa disse
"O resultado do primeiro semestre superou nosso plano e nossas expectativas em todos os aspectos." — Stephen Budorick, CEO
O tom da administração não foi defensivo. Normalmente, mesmo quando os resultados trimestrais de um REIT são bons, a perspectiva anual é mantida; desta vez, porém, a empresa elevou simultaneamente a projeção de lucro, a taxa de crescimento interno, a meta de locação de espaços vagos e o plano de investimentos de capital. Atualizar os quatro itens ao mesmo tempo é um sinal de convicção considerável da empresa quanto ao pipeline de locações do segundo semestre. Cabe ressalvar que a projeção de FFO ajustado por ação para o 3º trimestre ficou em US$ 0,68 a US$ 0,70, ligeiramente abaixo dos US$ 0,71 deste trimestre. Trata-se, ao que parece, de uma definição conservador que leva em conta o momento de reconhecimento de custos e o efeito de diluição ao longo dos trimestres, mas é preciso considerar a possibilidade de a curva de lucro do segundo semestre ficar mais plana. Mais detalhes serão apresentados na teleconferência de resultados de 28 de julho. ## Reação do mercado e próximos pontos de atenção
Como o resultado foi divulgado após o fechamento do pregão, o fluxo do pregão regular do dia não deve ser interpretado como reação ao resultado. A variação no after-hours logo após a divulgação ainda não havia sido confirmada. Olhando apenas para os números, há pouco que possa decepcionar o mercado: a receita veio acima do esperado, o FFO ajustado por ação superou o teto da guidance da empresa e a guidance anual foi revisada para cima. No entanto, como a ação está próxima da máxima de 52 semanas (US$ 38,16), é possível que o bom resultado já esteja parcialmente precificado, e, em cenários assim, é comum que mesmo resultados fortes gerem respostas mornas nos preços. O ponto-chave é se, no segundo semestre, a locação de espaços vagos e o pipeline de desenvolvimento conseguirão acompanhar as metas elevadas. - Se a meta anual revisada de 475 mil pés quadrados de locação de espaços vagos será de fato alcançada no segundo semestre
▸ Se a ocupação do portfólio total, hoje em 94,1%, mostrará tendência de melhora no segundo semestre
▸ Se os US$ 335 milhões agora comprometidos em investimentos de capital serão alocados em desenvolvimentos com contratos de locação já garantidos