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Análise de resultados

Gildan Activewear ($GIL) — Análise do 2º trimestre de 2026: lucro por ação ajustado supera estimativas e guidance anual é elevado

Placar de resultados

Receita: US$ 1,58 bilhão (+72,3% YoY, estimativa de US$ 1,609 bilhão) ❌ Abaixo

LPA (lucro por ação): diluído ajustado de US$ 1,28 (estimativa de US$ 1,12) ✅ Acima

Guidance: elevado — lucro por ação diluído ajustado anual de US$ 4,65 a US$ 4,75 (anterior: US$ 4,20 a US$ 4,40); fluxo de caixa livre de cerca de US$ 1,0 bilhão

Reação do papel: +4,39% no pré-mercado (US$ 53,5) — base 20:15 (horário da Coreia) de 30/07

Pontos positivos

LPA ajustado acima do consenso: US$ 1,28 diluído ajustado, cerca de 14% acima da estimativa de US$ 1,12.

Guidance anual elevado: margem operacional ajustada, lucro por ação e fluxo de caixa livre foram todos revisados para cima simultaneamente.

Integração e desinvestimento: a execução da redução de custos está no caminho e foi anunciada a venda da operação australiana por cerca de US$ 490 milhões.

A Gildan Activewear ($GIL), fabricante de camisetas, roupas íntimas e vestuário esportivo, superou claramente as expectativas de mercado em termos de lucro neste trimestre, que já reflete o aumento de escala após a aquisição da Hanesbrands. A margem operacional ajustada ficou em 22,3%, 2,6 pontos percentuais acima do guidance da empresa (cerca de 19,7%), e o fluxo de caixa livre do 2º trimestre somou US$ 326 milhões. O LPA ajustado também contou com US$ 0,11 por ação relativos a reembolsos de tarifas alfandegárias nos EUA, o que ajuda a explicar o resultado acima do consenso.

A companhia afirmou estar no caminho para atingir a meta de redução de custos de cerca de US$ 100 milhões em 2026, mantendo também o objetivo de cerca de US$ 250 milhões em cortes anuais ao longo dos próximos três anos. Ao mesmo tempo, anunciou a venda da operação australiana da Hanesbrands por valor empresarial de aproximadamente AUD 700 milhões (cerca de US$ 490 milhões), reforçando a expectativa de melhora da saúde financeira por meio da redução da dívida líquida, em conjunto com os bons resultados.

Pontos de atenção

Leve frustração na receita: US$ 1,58 bilhão ficou abaixo da estimativa de mercado de US$ 1,609 bilhão.

Desaceleração em volumes e varejo: a redução de estoques da integração e a fraqueza do varejo no fim do trimestre pressionaram as remessas.

Itens não recorrentes e endividamento: parte relevante dos reembolsos tarifários é de natureza não recorrente, e a alavancagem da dívida líquida segue elevada.

O crescimento da receita (+72,3%) foi puxado pela aquisição da Hanesbrands; em base pró-forma, que reflete a fusão como se tivesse ocorrido antes, tanto atacado quanto varejo recuaram frente ao ano anterior. A redução proativa de estoques nos canais de distribuição durante o processo de integração diminuiu temporariamente as remessas, e o efeito de compras antecipadas registradas no 2º trimestre de 2025 antes do aumento de preços também se dissipou. A fraqueza do varejo no fim do trimestre e a menor formação sazonal de estoque por parte das grandes redes varejistas também pesaram sobre os volumes do segmento de varejo.

O lucro por ação diluído em GAAP foi de US$ 0,49, refletindo custos de reestruturação relacionados à aquisição e de elevação do valor justo de estoques, o que gera grande divergência em relação ao número ajustado. Ao fim do primeiro semestre, a dívida líquida era de cerca de US$ 4,69 bilhões, e a razão entre dívida líquida e EBITDA ajustado era de 3,2x, acima da faixa-alvo de 1,5x a 2,5x. Parte significativa dos cerca de US$ 220 milhões em reembolsos tarifários incluídos no guidance anual é de natureza não recorrente, e a própria empresa afirmou que reinvestirá parte desses recursos em marca, marketing e inovação, o que exige avaliar a qualidade do lucro recorrente.

O que a empresa disse

A administração manteve o tom de que a integração da Hanesbrands e a captura de sinergias de custos seguem dentro do planejamento, com foco na execução sobre variáveis controláveis para perseguir crescimento de rentabilidade e geração de valor de longo prazo para os acionistas. Ainda que mantenha cautela em relação ao ambiente externo (disciplina de estoques no varejo e políticas tarifárias e comerciais), a empresa demonstrou confiança ao elevar o guidance, sinalizando que a capacidade de geração de lucro da entidade combinada ficará mais evidente ao longo do exercício.

A receita anual deve ficar próxima da extremidade inferior da faixa anteriormente apresentada (US$ 6,0 bilhões a US$ 6,2 bilhões), mas margem operacional ajustada, LPA ajustado e fluxo de caixa livre foram, na verdade, revisados para cima. O mercado interpretou a mensagem como um posicionamento de maior peso em margem e caixa em detrimento do volume, além de um sinal de antecipação do cronograma de desalavancagem com a venda da operação australiana. A companhia explicou que, no 3º trimestre, a maior parte dos reembolsos tarifários será refletida, o que pode elevar significativamente a margem operacional ajustada.

Reação do mercado e próximos pontos a observar

O mercado avaliou de forma mais positiva o conjunto formado pela superação do LPA ajustado, pela elevação do guidance anual de lucro e fluxo de caixa, pelo progresso na captura de sinergias da integração e pela venda da operação australiana, do que o leve desapontamento na receita. Com os reembolsos tarifários, o alívio nos custos de matérias-primas e as ações de preço sustentando as margens, a concretização de recursos para amortização da dívida também ajudou a aliviar a pressão sobre o papel. Porém, como a parcela não recorrente dos reembolsos e a fraqueza da demanda no varejo continuam presentes, a continuidade do movimento de alta depende da confirmação numérica da recuperação dos volumes.

É preciso verificar se os reembolsos tarifários previstos para o 3º trimestre se materializam de fato e se a margem ajustada se aproxima do nível do guidance.

Acompanhar se atacado e varejo voltam a crescer em base pró-forma e se a pressão sobre remessas decorrente da redução de estoques se atenua.

Vale monitorar a conclusão da venda da operação australiana, o ritmo de queda da alavancagem da dívida líquida e a proximidade das condições para retomada do programa de recompra de ações.

Aviso Legal: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Toda a responsabilidade pelos investimentos é do próprio investidor.

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