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Análise de resultados

Análise de Resultados do 2º Trimestre de 2026 da Carrier Global ($CARR) — Receita e Lucro Superam Expectativas, Perspectiva Anual Revisada para Cima

Boletim de Resultados

Receita: US$ 6,351 bilhões (+4% em relação ao ano anterior, +5,6% frente à expectativa de US$ 6,01 bilhões) ✅ Beat

EPS (Lucro por Ação): US$ 0,86 (+5,2% frente à expectativa de US$ 0,82) ✅ Beat

Guidance: Revisada para cima — receita anual de 2026 de aproximadamente US$ 23 bilhões, lucro operacional ajustado de cerca de US$ 3,5 bilhões e EPS ajustado de cerca de US$ 2,90

Reação do preço da ação: Logo após a divulgação, alta de cerca de +2,6% no pregão regular (perto de US$ 71,10) — como o resultado foi divulgado antes da abertura, a reação ocorreu no pregão regular, e não no pré-mercado

Pontos Positivos

Retorno do crescimento orgânico: Receita orgânica recuperou +3%, revertendo-se mais cedo do que a empresa esperava

Recuperação do HVAC nas Américas: Setor das Américas com orgânico de +4%, residencial +9% e comercial leve +10%

Geração de caixa: Fluxo de caixa livre de US$ 810 milhões, com retorno aos acionistas de cerca de US$ 640 milhões

Mais importante do que "os números superaram as expectativas" neste trimestre foi a mudança de direção. Apenas no trimestre anterior, a receita orgânica havia recuado 1%, com o HVAC residencial nos Estados Unidos caindo cerca de 12% e pesando nos resultados. Neste trimestre, o segmento residencial voltou a crescer 9% e o comercial leve avançou 10%, elevando o crescimento orgânico total da empresa para 3%. A própria administração chegou a afirmar que o retorno à trajetória de crescimento ocorreu "mais cedo do que o esperado".

O aquecimento também se distribuiu de forma equilibrada entre as regiões. O segmento europeu cresceu 3% organicamente, apesar da fraca demanda comercial, e o segmento de Ásia, Oriente Médio e África também registrou crescimento orgânico de 4%. Isso eleva a credibilidade do resultado, pois não se trata de um desempenho dependente de um impulso pontual em uma única região.

O fluxo de caixa merece destaque especial. O caixa gerado pelas atividades operacionais foi de US$ 927 milhões, e o fluxo de caixa livre (o dinheiro de fato disponível após subtrair os investimentos em bens de capital do caixa operacional) alcançou US$ 810 milhões. Em comparação com o fluxo de caixa livre negativo de US$ 15 milhões no 1º trimestre, trata-se de uma reversão significativa, e a empresa destinou cerca de US$ 640 milhões desse montante a dividendos e recompras de ações.

Pontos Negativos

Recuo na rentabilidade: Margem operacional ajustada de 17,2%, queda de 1,9 ponto percentual em relação ao ano anterior

Lucro em contração: EPS ajustado de US$ 0,86, -7% em relação ao ano anterior; EPS em bases contábeis (GAAP) recuou -14%

Queda acentuada de margem na Ásia/Oriente Médio: Margem do segmento caiu 3,5 pontos percentuais (incluindo o impacto do conflito no Oriente Médio)

O ponto mais incômodo é que a receita cresceu enquanto o lucro diminuiu. A margem operacional ajustada ficou em 17,2%, 1,9 ponto percentual abaixo do ano anterior, e o EPS ajustado caiu 7%, para US$ 0,86. Pelo critério contábil (GAAP), o EPS foi de US$ 0,60, uma queda de 14%. Ou seja, esta "superação das expectativas" ocorreu num cenário em que o mercado já havia rebaixado suas estimativas, e não representa um desempenho melhor do que o do ano passado.

Por segmento, Ásia, Oriente Médio e África foram os mais afetados. A receita orgânica cresceu 4%, mas a composição de produtos (mix) foi desfavorável, e o impacto do conflito no Oriente Médio reduziu os lucros recebidos das joint ventures, fazendo a margem do segmento cair 3,5 pontos percentuais. Trata-se de um fator externo, fora do controle da empresa, e é difícil prever quando se normalizará.

Mesmo dentro da perspectiva anual revisada para cima, há um custo reconhecido. A empresa afirmou que a saída do negócio NORESCO e os custos de inicialização da nova fábrica nos Estados Unidos geram um impacto negativo de cerca de US$ 0,05 no EPS. Isso significa que, em um momento de recuperação da receita, reestruturação e investimentos em capacidade produtiva chegam simultaneamente.

O Que a Empresa Disse

O tom da administração esteve mais próximo da confiança do que da defensividade. A empresa colocou em destaque a recuperação da demanda por HVAC residencial nos Estados Unidos — apontada como a principal causa do desempenho fraco — e, por acreditar que essa recuperação não é temporária, revisou para cima tanto a receita quanto o lucro anuais. Como a Carrier raramente eleva suas projeções anuais com base em um único trimestre forte, o ajuste foi interpretado como um sinal de convicção interna sobre a demanda da segunda metade do ano.

Ainda assim, a empresa não se limitou ao otimismo. Incorporou previamente nas projeções os custos decorrentes da saída do negócio e da inicialização da nova fábrica, e também explicou abertamente a queda nos lucros das joint ventures no Oriente Médio. O mercado interpretou essa combinação como "a rentabilidade ainda está em fase de acomodação, mas o ciclo de receita voltou".

Reação do Mercado e Pontos de Atenção para Frente

O motivo da alta no preço da ação é simples. Nos últimos trimestres, a principal preocupação dos investidores com a Carrier não era a margem, e sim quando a receita voltaria a crescer. O fluxo de receita orgânica, que havia ficado negativo com o congelamento do mercado de HVAC residencial nos Estados Unidos, se inverteu para +3% neste trimestre, e, com a empresa elevando também sua perspectiva anual, o mercado interpretou o movimento como o sinal de que "o fundo já passou".

Por outro lado, a queda na margem e a redução do lucro em relação ao ano anterior já eram, em grande medida, esperadas pelo mercado, sem causar grande impacto. No entanto, essa configuração não deve se sustentar por muito tempo. Se a recuperação da receita continuar por mais alguns trimestres e a margem permanecer pressionada, a pergunta do mercado deixará de ser "quando volta a crescer?" e passará a ser "por que não sobra dinheiro?". O preço atual da ação reflete apenas o início da recuperação, e não a retomada da rentabilidade.

Se a recuperação da demanda por HVAC residencial nos Estados Unidos se manterá no 3º trimestre, ou se foi apenas uma reação pontual concentrada neste trimestre

Se a margem operacional ajustada mostrará sinais de estabilização e reação, com a redução da queda frente ao ano anterior

Se a margem do segmento de Ásia, Oriente Médio e África se recuperará da redução nos lucros das joint ventures ligadas ao Oriente Médio

Se a perspectiva anual revisada para cima (receita de aproximadamente US$ 23 bilhões e EPS ajustado de cerca de US$ 2,90) será confirmada pelos resultados do 3º trimestre

Aviso Legal: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Toda a responsabilidade pelos investimentos é do próprio investidor.

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