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Análise de resultados

Análise do resultado do 2º trimestre de 2026 da Waste Management ($WM) — lucro acima do esperado, receita ligeiramente abaixo e perspectiva de receita anual reduzida

Placar dos resultados

Receita: US$ 6,684 bilhões (+4,0% ante o ano anterior, -0,4% ante a estimativa de US$ 6,710 bilhões) ❌ Abaixo

EPS (lucro por ação ajustado): US$ 2,02 (+2,0% ante a estimativa de US$ 1,98, EPS diluído GAAP US$ 1,95 / US$ 1,80 no ano anterior) ✅ Acima

Guidance: Mantido (apenas a receita foi reduzida) — EBITDA operacional ajustado anual de US$ 8,15 bilhões a US$ 8,25 bilhões e fluxo de caixa livre de US$ 3,75 bilhões a US$ 3,85 bilhões mantidos; meta de margem elevada para 31,0%–31,2% (+0,2 p.p.); receita reduzida para US$ 26,275 bilhões a US$ 26,475 bilhões

Reação do preço: Reação no after-market ainda não verificada

Pontos positivos

Geração de caixa: Fluxo de caixa livre de US$ 1,040 bilhão, salto de 34,5% ante o ano anterior

Melhora da rentabilidade: EBITDA operacional ajustado +5,5%, margem ajustada de 30,9%

Desempenho dos novos negócios: Lucro do segmento de reciclagem e energia renovável +32,5%

O destaque mais marcante é o caixa. A partir do fluxo de caixa operacional de US$ 1,726 bilhão (+11,7%), após subtrair CapEx de manutenção de US$ 555 milhões e CapEx de crescimento sustentável de US$ 75 milhões, e somar US$ 8 milhões da venda de ativos, o fluxo de caixa livre chegou a US$ 1,040 bilhão, alta de 34,5%. O fluxo de caixa livre é o dinheiro que sobra após a empresa manter o negócio em operação, recurso que pode ser efetivamente destinado a dividendos ou à recompra de ações. De fato, somente neste trimestre a companhia devolveu US$ 1,040 bilhão aos acionistas, somando US$ 659 milhões em recompras e US$ 379 milhões em dividendos.

A rentabilidade também superou o ritmo de crescimento da receita (4,0%), com o lucro ajustado avançando 5,5%. No segmento de coleta e aterros, o efeito de aumento de preços foi de 3,6%, enquanto o volume caiu 1,8% — redução atribuída em grande parte a um efeito base, já que no mesmo período do ano anterior houve um trabalho pontual de limpeza após incêndios florestais. Excluindo esse efeito, o volume de aterros até cresceu 1,7%, e o ritmo de saída de contratos residenciais de baixa rentabilidade melhorou 210 pontos-base em relação ao trimestre anterior. O fato de a empresa ter elevado a meta de margem anual é interpretado como sinal de confiança nessa trajetória.

No segmento de reciclagem e energia renovável, eixo de crescimento, o lucro subiu US$ 40 milhões, ou 32,5%. No trimestre, foram inauguradas três instalações de gás natural renovável e uma instalação de reciclagem, marcando a fase em que investimentos feitos ao longo de vários anos começam a se traduzir em lucro efetivo. O negócio de resíduos de saúde também teve aumento de lucro de US$ 11 milhões, impulsionado pela redução de despesas administrativas e comerciais.

Pontos negativos

Receita abaixo do esperado: US$ 6,684 bilhões, 0,4% aquém da estimativa

Perspectiva de receita anual reduzida: Faixa reduzida para US$ 26,275 bilhões a US$ 26,475 bilhões

Queda de volume: Volume de coleta e aterros caiu 1,8% ante o ano anterior (-0,4% excluindo o efeito base dos incêndios)

O ponto fraco do trimestre foi o volume. O lucro superou as expectativas, mas a receita ficou abaixo e a empresa reduziu a perspectiva de receita anual, deixando no ar a pergunta: "o crescimento está desacelerando?". A magnitude do corte em si, pouco mais de 0,6%, não é grande, mas a direção — para baixo — é o que importa.

A queda de 1,8% no volume se deve principalmente ao efeito base pontual do trabalho de limpeza após incêndios florestais no mesmo período do ano anterior. Excluindo esse fator, o volume de aterros na verdade cresceu 1,7%, e a redução no volume de coleta e aterros se limita a 0,4%. A saída de contratos residenciais de baixa rentabilidade também pesa, mas o ritmo melhorou 210 pontos-base em relação ao trimestre anterior. Em outras palavras, o número de volume deste trimestre é amplamente explicado pelo efeito base descrito pela empresa e pelo encerramento deliberado de contratos de baixa rentabilidade; para avaliar se há uma desaceleração na economia real, será preciso observar o volume do próximo trimestre, quando o efeito base dos incêndios deixar de existir.

Outro ponto é a sustentabilidade do crescimento apoiado em aumento de preços. Quando a inflação cede, enfraquece também a justificativa para reajustar tarifas; manter a margem atual nessa conjuntura dependerá da rapidez com que novas fontes de lucro, como energia renovável e resíduos de saúde, ganham escala.

O que a empresa disse

Ao analisar as falas da administração, o peso recai mais sobre "execução" e "colheita" do que sobre "crescimento". A mensagem está mais próxima de "o dinheiro dos investimentos já realizados começa a aparecer" do que de "vamos abrir novos mercados". A combinação de reduzir a perspectiva anual de receita enquanto eleva a meta de margem transmite a mesma mensagem: em vez de forçar o crescimento da receita, a empresa prefere priorizar os negócios que dão retorno.

Para o investidor, essa postura é ambivalente. Em períodos de incerteza econômica, preservar lucro e caixa é mais seguro, mas o apelo como ação de crescimento diminui na mesma proporção. Considerando que a Waste Management já é classificada como ação defensiva, é provável que o mercado não questione fortemente essa escolha.

Reação do mercado e pontos para acompanhar

O eixo central deste resultado é o quadro dividido: "lucro bom, receita fraca". Em ações como a Waste Management, escolhidas por dividendo e estabilidade, o mercado costuma dar mais peso ao fluxo de caixa e à capacidade de dividendos do que a diferenças de algumas dezenas de milhões de dólares na receita. O fato de o fluxo de caixa livre ter subido 34,5%, atingindo US$ 1,040 bilhão, com mais de US$ 1 bilhão devolvido aos acionistas apenas no trimestre, é claramente um ponto forte sob essa ótica.

Contudo, a redução da perspectiva anual de receita continuará como uma sombra. A avaliação dependerá se o mercado interpreta o corte como "redução planejada, decorrente do efeito base dos incêndios e da seletividade na captação de contratos" ou como um sinal de desaceleração de demanda mais ampla. A reação do preço no after-market logo após a divulgação ainda não foi verificada, e a empresa pretende dar explicações adicionais na conferência de resultados prevista para o final da noite do dia 29 (horário de Brasília).

Se no próximo trimestre, com o desaparecimento do efeito base dos incêndios, o volume de coleta e aterros volta ao positivo

Se o efeito de aumento de preços (+3,6%) se sustenta mesmo em um cenário de desaceleração inflacionária

Se o crescimento do lucro do segmento de reciclagem e energia renovável (+32,5%) continua junto com as novas instalações inauguradas

Se o efeito de corte de custos do negócio de resíduos de saúde segue se convertendo em contribuição real para o lucro

Aviso Legal: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Toda a responsabilidade pelos investimentos é do próprio investidor.

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