Marriott Internacional ($MAR) — Análise do 2º trimestre de 2026: EPS ajustado supera estimativa e guidance anual é elevado, mas ação cai no pré-mercado
Placar dos resultados
Receita: US$ 7,071 bilhões (+5% ante o ano anterior, estimativa de US$ 7,193 bilhões) ❌ Abaixo
EPS (lucro por ação): Diluído ajustado de US$ 3,19 (estimativa de US$ 3,08) ✅ Acima · Diluído reportado de US$ 2,90
Guidance: Elevado — crescimento anual do RevPAR mundial para 3%–3,5%; EPS diluído ajustado anual de US$ 11,64 a US$ 11,81
Reação do papel: Pré-mercado -4,04% (US$ 357,78) — base 08-03 20:45 (horário da Coreia)
Pontos positivos
EPS ajustado acima do esperado: US$ 3,19 diluído ajustado, superando os US$ 3,08 estimados (+cerca de 3,6%)
Demanda sólida nos EUA e Canadá: RevPAR +5,0%; taxas de franquia e gestão básica +14% (US$ 1,366 bilhão)
Expansão e retorno ao acionista: +17,9 mil quartos líquidos; pipeline de desenvolvimento de 629 mil quartos, recorde histórico
A Marriott adota uma estrutura asset-light: em vez de possuir hotéis diretamente, licencia suas marcas e assume a operação. Neste trimestre, a principal fonte de receita — taxas de franquia e gestão básica — totalizou US$ 1,366 bilhão, 14% acima dos US$ 1,2 bilhão do ano anterior, impulsionada por comissões de cartões de crédito co-branded, aumento do número de quartos e alta do RevPAR. O lucro líquido ajustado foi de US$ 844 milhões, e o EBITDA ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou a US$ 1,592 bilhão, alta de 13% na comparação anual.
A força do resultado veio da demanda difusa nos EUA e Canadá, em todas as categorias de bandeiras e perfis de clientes. O número líquido de quartos globais cresceu 4,5% em relação ao final do mesmo período do ano anterior, e o pipeline de desenvolvimento ao fim do trimestre somava cerca de 4,200 hotéis e 629 mil quartos — recorde histórico. Durante o trimestre, a companhia recomprou 3 milhões de ações ordinárias por US$ 1,1 bilhão e, até 29 de julho, devolveu cerca de US$ 2,6 bilhões no acumulado do ano entre dividendos e recompras.
Pontos negativos
Receita total abaixo do esperado: US$ 7,071 bilhões, ante consenso de US$ 7,193 bilhões
Fraqueza internacional: RevPAR internacional -0,5%; Oriente Médio -43% em queda acentuada
Custos não recorrentes: Provisão para litígio de US$ 27 milhões e impairment relacionado à venda de hotéis de US$ 68 milhões
A receita total reportada cresceu 5% ante os US$ 6,744 bilhões do ano anterior, mas ficou abaixo dos US$ 7,193 bilhões projetados pelo mercado. Como a receita total do setor hoteleiro inclui uma parcela relevante de receita de reembolso de custos — em que a empresa recebe e repassa despesas operacionais pagas pelos proprietários —, o desempenho baseado em taxas e o "surpresa" da receita total podem divergir. Ainda assim, em termos de valor absoluto, o número ficou aquém do esperado.
O RevPAR internacional recuou 0,5%, e a região Oriente Médio, Europa e África caiu mais de 5%. A Europa cresceu, mas a queda de 43% no Oriente Médio puxou o resultado regional para baixo, e a companhia atribuiu diretamente o impacto às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Outras receitas líquidas, como propriedades e arrendamentos, somaram US$ 49 milhões, abaixo dos US$ 78 milhões do ano anterior, pressionadas pela provisão para litígio imobiliário de US$ 27 milhões (cerca de US$ 20 milhões após impostos / US$ 0,08 por ação) e pela redução de taxas de rescisão. Um impairment de US$ 68 milhões, ligado à venda de hotéis nos EUA e Canadá, também pesou sobre o lucro reportado, embora tenha sido excluído dos resultados ajustados.
O que a empresa disse
Anthony Capuano, presidente e CEO, avaliou que a demanda forte por viagens, a competitividade das marcas e o momentum de desenvolvimento sustentaram o bom resultado trimestral. Ele atribuiu a alta de 5% no RevPAR dos EUA e Canadá à expansão em todos os segmentos e perfis de clientes, e explicou a fraqueza internacional como o efeito da pressão vinda do Oriente Médio que anulou o crescimento de outras regiões. Com base na superação no 2º trimestre e na expectativa de continuidade da demanda ampla, a companhia elevou a projeção anual de crescimento do RevPAR mundial para 3%–3,5%.
No lado de desenvolvimento, destacou que as contratações globais no primeiro semestre foram as maiores da história, com conversões (hotéis existentes migrando para bandeiras Marriott) respondendo por mais de um terço dos contratos e 40% das aberturas. Os membros do Marriott Bonvoy ultrapassaram 295 milhões ao fim do trimestre, e a companhia anunciou novos contratos de longo prazo com JPMorgan Chase e American Express para os cartões de crédito co-branded nos EUA. O outlook já incorpora parte do efeito incremental desses contratos no ano, sob a premissa de que o ambiente macroeconômico se mantenha nos níveis atuais. O tom é de confiança clara, mas a empresa reconhece a disparidade entre regiões e o risco no Oriente Médio.
Reação do mercado e pontos a observar
O EPS ajustado ficou acima do esperado e o guidance anual de RevPAR foi elevado, mas a receita total abaixo do consenso e a fraqueza internacional, especialmente no Oriente Médio, pesaram mais. A definição da faixa de crescimento de quartos líquidos no patamar inferior de 4,5%–5% também pode ter sido lida pelo mercado como um sinal de desaceleração do crescimento para ações de hoteleiras que vinham negociando em patamares elevados. Custos não recorrentes, como provisões para litígio e impairment, que turvaram o lucro reportado, também podem ter pressionado o sentimento.
Acompanhar se o RevPAR mundial do 3º trimestre se encaixa na faixa indicada pela empresa de 3,5%–4,0% e se a demanda no Oriente Médio dá sinais de recuperação.
Monitorar o progresso dos resultados frente ao guidance de EPS diluído ajustado anual de US$ 11,64 a US$ 11,81 e EBITDA ajustado de US$ 5,965 bilhões a US$ 6,025 bilhões.
Verificar se o incremento de comissões dos novos contratos dos cartões co-branded e o ritmo de aberturas e conversões do pipeline se traduzem em crescimento efetivo das taxas.
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