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실적분석

Uber ($UBER) – Análise de resultados do 2T26: EPS ajustado supera por pouco, receita fica abaixo e ação recua no after-market

Boletim de resultados

Receita: US$ 14,191 bilhões (+12% em base anual, estimativa de US$ 14,265 bilhões) ❌ Abaixo

EPS (lucro por ação): Ajustado, US$ 0,81 (estimativa de US$ 0,80) ✅ Acima

Perspectiva: Nova apresentação — para o 3T26, EPS ajustado entre US$ 0,84 e US$ 0,88, volume bruto de transações entre US$ 58,25 bilhões e US$ 60,25 bilhões (crescimento de 18% a 22% em base cambial constante)

Reação do preço: -3,03% no after-market (US$ 69,81) — referência 05/08 às 20h47 (horário de Brasília/Korea)

Pontos positivos

Crescimento do volume bruto de transações: US$ 58,02 bilhões, +22% em base cambial constante na comparação anual

Melhora no lucro ajustado: EPS ajustado de US$ 0,81, +35% em base anual

Geração de caixa: Fluxo de caixa livre de US$ 2,79 bilhões no trimestre, ultrapassando US$ 10 bilhões nos últimos 12 meses

A Uber é uma plataforma de intermediação de corridas, entregas e fretes. No 2T26 (encerrado em 30 de junho), a base de usuários ativos mensais da plataforma chegou a 208 milhões (+16%), e o número de viagens foi de aproximadamente 3,87 bilhões (+18%). O volume bruto de transações (Gross Bookings) atingiu US$ 58,02 bilhões, com alta de 24% em base reportada e 22% em base cambial constante, demonstrando que o motor central do crescimento de volume permanece sólido.

No lado da rentabilidade, o lucro operacional ajustado subiu 40% na comparação anual, para US$ 2,14 bilhões, e o EBITDA ajustado cresceu 33%, para US$ 2,82 bilhões. O lucro líquido ajustado foi de US$ 1,65 bilhão, com EPS ajustado de US$ 0,81 — US$ 0,01 acima da estimativa de consenso de US$ 0,80. A geração de caixa também continuou forte: US$ 2,86 bilhões de caixa operacional e US$ 2,79 bilhões de fluxo de caixa livre. A administração informou que o fluxo de caixa livre dos últimos 12 meses superou pela primeira vez na história da companhia a marca de US$ 10 bilhões.

Por segmento, as Entregas registraram volume bruto de US$ 27,46 bilhões (+26%, +25% em base cambial constante) e receita de US$ 5,25 bilhões (+28%), com expansão rápida, enquanto o lucro do segmento avançou 38%, para US$ 1,06 bilhão. A Mobilidade gerou volume bruto de US$ 28,99 bilhões (+22%) e lucro de segmento de US$ 2,22 bilhões (+28%), com contribuição relevante para o lucro.

Pontos negativos

Receita abaixo do esperado: US$ 14,191 bilhões, ligeiramente abaixo dos US$ 14,265 bilhões projetados pelo mercado

Estagnação da receita de Mobilidade: +1% na base reportada e 0% em base cambial constante na comparação anual, pressionada por mudanças no modelo de negócios

Peso de itens não recorrentes no lucro: O lucro líquido atribuível aos acionistas ordinários, de US$ 2,39 bilhões, inclui US$ 1,6 bilhão antes de impostos oriundos da reavaliação de investimentos

A receita somou US$ 14,191 bilhões, com alta de 12% em base reportada e 11% em base cambial constante na comparação anual, mas ficou abaixo dos US$ 14,265 bilhões esperados pelos analistas. A empresa explicou que mudanças no modelo de negócios reduziram o ritmo de crescimento da receita em cerca de 8 pontos percentuais, tanto na base reportada quanto na cambial constante. Esse é o motivo pelo qual o descolamento entre o crescimento do volume bruto de transações e o da receita parece tão acentuado.

Em especial, a receita de Mobilidade ficou em US$ 7,36 bilhões, com avanço de apenas 1% em base anual e, na prática, estabilidade em base cambial constante. Embora o volume bruto de transações tenha mantido crescimento de dois dígitos, a conversão em receita ficou mais fraca, abrindo espaço para que o mercado revisite o impacto de mudanças no modelo de negócios, comissões, seguros e na estrutura de preços. O segmento de Fretes viu volume bruto e receita crescerem cerca de 25%, mas registrou prejuízo operacional de US$ 24 milhões no segmento e segue no vermelho.

Sob as normas contábeis usuais (GAAP), o lucro líquido atribuível aos acionistas ordinários foi de US$ 2,39 bilhões (US$ 1,36 bilhão no ano anterior), com lucro por ação diluído de US$ 1,17. No entanto, esse valor inclui US$ 1,6 bilhão antes de impostos provenientes da reavaliação de investimentos, dificultando uma leitura direta — pelos números GAAP — do aumento do lucro líquido e do lucro por ação. Além disso, a margem de superação do EPS ajustado sobre a estimativa foi de apenas US$ 0,01, configurando um boletim em que “os números passam, mas sem folga”.

O que a empresa disse

O CEO Dara Khosrowshahi enfatizou que a força competitiva da plataforma vem impulsionando simultaneamente o crescimento da base de usuários, da intensidade de uso e da rentabilidade. Ele destacou que o número de novos usuários nos últimos 12 meses foi o maior dos últimos cinco anos e reafirmou a intenção de acelerar a venda cruzada global (integração entre corridas e entregas, entre outros) e construir a maior plataforma do mundo para veículos autônomos. O tom indica prioridade à expansão da plataforma no longo prazo em detrimento de custos de curto prazo.

O CFO Balaji Krishnamurthy explicou que a velocidade de conversão do crescimento de volume em lucro e caixa tem sido cada vez maior. Com base no crescimento do volume bruto de transações e do EPS ajustado, além do fato de o fluxo de caixa livre dos últimos 12 meses ter ultrapassado US$ 10 bilhões, afirmou que a empresa passou a ter margem para combinar investimentos futuros, avaliação de oportunidades estratégicas e redução do programa de recompra de ações (diminuição do número de ações em circulação). Para o 3T26, a empresa apresentou pela primeira vez volume bruto de transações entre US$ 58,25 bilhões e US$ 60,25 bilhões (crescimento de 18% a 22% em base cambial constante), EPS ajustado entre US$ 0,84 e US$ 0,88 e EBITDA ajustado correspondente entre US$ 2,86 bilhões e US$ 2,96 bilhões. Não houve comparação com números anteriores, de modo que o correto é interpretar como “nova apresentação”. A administração acrescentou que o crescimento em base reportada incorpora um impacto cambial desfavorável de cerca de 1 ponto percentual.

Reação do mercado e pontos a acompanhar

Logo após o anúncio dos resultados, o after-market foi dominado por vendas. Embora o EPS ajustado tenha superado por pouco as estimativas, a receita ficou aquém, e, apesar da força do volume bruto de transações, a estagnação da receita de Mobilidade reacendeu o debate sobre a "qualidade do crescimento". O fato de uma parcela significativa do salto no lucro líquido GAAP decorrer de um item não recorrente — a reavaliação de investimentos — também torna difícil sustentar o preço apenas com o momentum operacional. É possível interpretar que o piso da faixa de EPS ajustado para o 3T (US$ 0,84) está acima do resultado do trimestre anterior e das estimativas dos analistas para o próximo trimestre, mas o mercado pareceu mais sensível à estrutura de receita e de preços em Mobilidade do que à margem de upside da perspectiva.

No 3T, será preciso observar se a taxa de crescimento da receita de Mobilidade voltará a se aproximar do crescimento do volume bruto de transações e se o impacto das mudanças no modelo de negócios diminuirá.

O ritmo de crescimento do lucro no segmento de Entregas e a trajetória de redução do prejuízo em Fretes serão determinantes para a visibilidade do lucro total.

É necessário acompanhar quanto os investimentos em direção autônoma e em plataforma de venda cruzada pressionarão as projeções de lucro ajustado e de fluxo de caixa livre.

Aviso Legal: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Toda a responsabilidade pelos investimentos é do próprio investidor.

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