Merck ($MRK) – Análise do 2º trimestre de 2026: receita e lucro por ação ajustado superam estimativas, e a guidance de receita anual é elevada
Quadro de resultados
Receita: US$ 16,607 bilhões (+5% em relação ao ano anterior, estimativa de US$ 16,368 bilhões) ✅ Beat
LPA (lucro por ação): prejuízo ajustado de US$ 0,13 por ação (estimativa de -US$ 0,26) ✅ Beat
Guidance: elevação da receita (anual de US$ 66,3 a US$ 67,3 bilhões), lucro por ação ajustado de US$ 2,66 a US$ 2,76 (agora refletindo custos da aquisição da Turnstone, entre outros)
Reação do preço: +1,47% no pós-mercado (US$ 129,65) — referência 04/08 às 20:43 (horário da Coreia)
Pontos positivos
Receita acima do esperado: receita global de US$ 16,607 bilhões, +5% frente ao ano anterior (+4% excluindo variação cambial)
Crescimento dos produtos-chave: Keytruda US$ 8,366 bilhões (+5%), Winrevair US$ 588 milhões (+75%)
Elevação da guidance de receita anual: faixa anterior de US$ 65,8 a US$ 67,0 bilhões → elevada e estreitada para US$ 66,3 a US$ 67,3 bilhões
A Merck viu seu crescimento no 2º trimestre ser puxado pelas áreas de oncologia, doenças cardiometabólicas e saúde animal, com a receita superando as estimativas de mercado. O principal imunoterápico oncológico Keytruda (incluindo a apresentação subcutânea Qlex) avançou 5% em relação ao ano anterior, impulsionado pela expansão precoce de indicações e pela demanda em indicações metastáticas; dentro desse total, a apresentação subcutânea Qlex gerou US$ 463 milhões, confirmando a adoção inicial. Winrevair, tratamento para hipertensão arterial pulmonar, disparou 75%, impulsionado pela penetração nos Estados Unidos e pelos lançamentos iniciais em mercados como Japão e Europa. A receita de saúde animal atingiu US$ 1,775 bilhão, com alta de 8% (5% excluindo câmbio), e contou com contribuições equilibradas de Gardasil, Prevyvms, Welireg e Capvaxiv, entre outros. A companhia elevou sua projeção de receita global anual para US$ 66,3 a US$ 67,3 bilhões, demonstrando confiança no crescimento, incluindo o efeito cambial (cerca de +1%). Esse resultado foi reforçado por novidades no pipeline, como a aprovação pelo FDA do Lipfendra, inibidor oral de PCSK9, e dados positivos de fase 3 do regime semanal oral para HIV, que sustentam a tese de crescimento de médio e longo prazo. ## Pontos negativos
Prejuízo mesmo na base ajustada: reflexo do custo de US$ 2,31 por ação da aquisição da Turnstone, gerando prejuízo ajustado de US$ 0,13 por ação
Queda acentuada nos produtos para diabetes: receita de Januvia e Janumet de US$ 429 milhões, -31% frente ao ano anterior
Redução da perspectiva anual de lucro por ação ajustado: faixa anterior de US$ 5,04 a US$ 5,16 → US$ 2,66 a US$ 2,76 (agora refletindo custos da aquisição da Turnstone, entre outros)
O prejuízo reportado tem caráter mais de custo não recorrente ligado a uma grande aquisição do que de deterioração operacional. O prejuízo líquido atribuído à companhia (GAAP, 2º trimestre de 2026) foi de US$ 1,335 bilhão, com LPA GAAP de US$ 0,54 negativo; na base ajustada, o prejuízo líquido atribuído à companhia somou US$ 330 milhões, equivalente a US$ 0,13 negativos por ação. Tanto a base GAAP quanto a ajustada incluem o custo de US$ 2,31 por ação relacionado à aquisição da Turnstone, e as despesas com pesquisa e desenvolvimento saltaram de cerca de US$ 4 bilhões no ano anterior para aproximadamente US$ 9,7 bilhões (incluindo cerca de US$ 5,7 bilhões de custos ligados à Turnstone). Pressões estruturais também permanecem. Januvia e Janumet, tratamentos para diabetes, recuaram 31% devido à concorrência nos Estados Unidos e ao impacto de genéricos, sobretudo na China. Lagevrio, tratamento para Covid-19, despencou 95%. A margem bruta GAAP ficou em 73,5%, ante 77,5% no ano anterior. A guidance anual de LPA ajustado teve sua faixa significativamente reduzida em função da incorporação de custos não recorrentes da aquisição, exigindo que se avalie separadamente a "rentabilidade operacional" excluindo esses efeitos pontuais. ## O que a empresa disse
A gestão definiu o trimestre como um período de avanço em toda a operação, sustentado pela forte execução e pela ampliação da contribuição dos novos produtos. Robert Davis, presidente e CEO, avaliou a aprovação do Lipfendra como um novo marco na área cardiovascular e destacou que os avanços regulatórios e clínicos em oncologia, HIV e imunologia evidenciam a transformação do portfólio e a próxima onda de inovação. O mercado parece ter dado mais peso à superação da receita, à elevação da guidance anual de receita e ao momentum de novos produtos e do pipeline do que ao prejuízo reportado. Para o ano, a empresa estreitou a faixa de receita e, simultaneamente, elevou-a; já o LPA ajustado foi apresentado já incorporando os custos ligados à Sidra e à aquisição da Turnstone, além de despesas financeiras e de desenvolvimento relacionadas. O ponto central é que a faixa do LPA foi significativamente reduzida em função da incorporação desses custos relacionados à aquisição. A companhia também manteve sua postura anterior de não assumir grandes operações adicionais de desenvolvimento de negócios. ## Reação do mercado e próximos pontos de atenção
O destaque ficou por conta do prejuízo decorrente do custo da grande aquisição, mas o mercado parece ter precificado primeiro a superação da receita e a elevação da guidance anual de receita, além da confirmação dos motores de crescimento como Keytruda Qlex e Winrevair. O tamanho do prejuízo ajustado ficou abaixo do consenso, e o fato de que boa parte do resultado negativo já vinha de contabilizações conhecidas da aquisição também trouxe alívio. Somando-se a isso notícias favoráveis do pipeline, como a aprovação do Lipfendra e a fase 3 positiva do regime semanal oral contra HIV, o viés do pós-mercado após o balanço foi de leve alta. - Monitorar se as indicações precoces da Keytruda e a penetração do Qlex continuam sustentando o crescimento da receita. - Acompanhar se o ritmo de penetração do Winrevair nos Estados Unidos e a expansão dos lançamentos em Japão e Europa se consolidam como motor de crescimento. - Avaliar se a receita inicial do Lipfendra e a rentabilidade operacional, excluindo custos não recorrentes ligados à Sidra e à Turnstone, se alinham à guidance anual.
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